As classes C e D melhoram o retrato do Brasil. Aceleram o aumento do PIB, atraem a atenção de empresários, impulsionam o desenvolvimento. Foram elas o ponto em comum, a unicidade, nos debates do Conexão Empresarial, promovido pelo grupo VB Comunicação, em Tiradentes, que reuniu cerca de 350 pessoas, lideranças políticas de Minas e de outros estados entre os dias 10 e 13 de junho. “País nenhum cresce sem mercado de massa”, disse a ex-ministra e candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, durante sua fala. São essas classes que elevaram 31 milhões de pessoas ao poder de consumo. “Ao construir mercado com estas proporções, construímos a base para o desenvolvimento sustentável.” O que ajudou a elevar o PIB a 9% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado, que impulsiona a economia, mas cobra investimento em infraestrutura e qualificação profissional. O país não está preparado em rodovias, portos e mão de obra. “Aí entra na educação de qualidade, que implica valorização do professor de forma a atrair profissionais.” Esbarra na reforma tributária, na simplificação de tributos. “O Brasil conseguiu avançar sem reformas, mas agora não dá mais. Do ponto de vista econômico, a tributária é a mais importante”, afirmou a candidata.

Antes de Dilma, o governador Antonio Anastasia abriu o ciclo de palestras na manhã de sexta-feira a apontar as potencialidades e incitar os empresários a ousar em investimentos e parcerias com o governo. “Temos de nos desafiar para criar novos programas porque a casa está arrumada, vitaminada”, disse. A casa ajeitada aí é gestão pública estadual, que, segundo ele, chegou a isto pela profissionalização. “É importante a economia ao lado de administração boa.” Vê o desenvolvimento regional para diminuir as desigualdades sociais no estado e diversificação da cadeia produtiva, como agregar valor ao minério. A ir mais à frente neste estado, onde é candidato ao governo pelo PSDB em disputa com o senador Hélio Costa, do PMDB, que também esteve no Conexão.
Puseram os pés no mesmo palanque dos debates: Anastasia de manhã, Hélio Costa à tarde, que retrocedeu há mais de 200 anos, na época de Tiradentes, para reclamar dos impostos. “Nosso herói morreu porque protestava contra a cobrança de 20% sobre o ouro. Hoje pagamos 35%. Os empresários sabem o peso que isto significa”, afirmou o senador. Assumiu o compromisso de não aumentar tributos em circunstância nenhuma, apontou que o desenvolvimento tem que ser pensado sob o alto dos cinco pilares da economia mineira (energia, combustíveis, autopeças, telecomunicações e agronegócios). Transcorria a fala, quando disse que em Minas há 12 mil empresas, sendo que somente 3,8 mil pagam impostos. O restante é irregular.
Terminou a palestra, deixou o auditório e aí o presidente da Usiminas, Wilson Brumer, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas, o próximo a liderar a discussão, questionou os números apresentados por Costa. Convocou Olavo Machado, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas (Fiemg), mexeu com a plateia, aqueceu o debate. Seriam somente 3,8 mil empresas regulares? Machado informou que este número se referia às indústrias, e que respondiam por 95% da arrecadação. Não só elas regulares, há outras também no estado, que Brumer garantiu estar preparado, planejado para o desenvolvimento. Sujeito, em todo o Brasil, às ameaças externas: ajuste fiscal de outros países, crescimento lento da economia mundial. Às internas, como inflação, aumento dos gastos da máquina pública. “Não há vacina para crescer indefinidamente”, afirmou Paulo Paiva, presidente do BDMG. Mas vê o acesso das classes C e D ao mercado consumidor como oportunidade, componente vital nesta vacina, para o desenvolvimento. “O novo poder de consumo dessas classes atraiu empresas de vários setores, incluindo as de planos de sáude”, avaliou Helton Freitas, presidente da Unimed-BH, durante sua palestra.“São 90 milhões de pessoas querendo gastar. Elas são sensíveis a preços, mas querem ˆ qualidade”, lembrou Roberto Chade, presidente da Dotz do Brasil, empresa de fidelização. Acredita que, para tornar fiéis esses consumidores, tem de ser simples, mostrar o que vão ganhar. O Conexão mostrou, discutiu. “O projeto nasceu nos almoços, em pouco tempo tornou-se referência e agora será anual”, afirmou Paulo Cesar de Oliveira, diretor geral da VB Comunicação. Novas discussões virão.
QUEM ESTAVA NA MESA
De manhã

O ciclo de palestras do segundo dia, 11 de junho, do Conexão Empresarial, foi encerrado com o presidente da Usiminas, Wilson Brummer que discursou sobre o processo de desenvolvimento público e privado. De acordo com ele, que já atuou nos dois setores, é preciso haver uma descentralização política no país. "O estado não tem capacidade de fazer tudo sozinho. O setor público e privado precisam ser parceiros nesse processo. O estado deve ser desrregulamentado para que haja participação mais ativa do setor privado."

Durante sua palestra no Conexão Empresarial, o candidato à governador de Minas Gerais, Hélio Costa, citou Tiradentes que morreu ao lutar contra os impostos que na época representavam 20% e hoje superam os 30%. Confira alguns trechos da palestra:

A ex-ministra Dilma Rousseff disse hoje, no Conexão Empresarial, em Tiradentes, que o Brasil tem todas as condições de passar de um país emergente para desenvolvido, pois possui 190 milhões de consumidores, sendo que 31 milhões migraram para a classe média, que consume de tudo e representa 70% da população. "País nenhum cresce sem mercado de massa", argumenta. De acordo com a ex-ministra, é preciso haver investimento em educação, em escolas profissionalizantes para qualificar a mão de obra, e também na saúde. Para avançar, ainda é preciso uma reforma tributária com a simplificação de impostos, além de algumas ações pontuais como a devolução do crédito de ICMS. Dilma considera o sistema tributário "caótico e confuso" e defende a tarifa zero para investimentos. Durante o discurso, a palestrante deu alfinetadas no governo anterior. De acordo com ela, a política econômica do presidente Lula não é continuidade da de FHC porque há controle de inflação com meta inflacionária, tem robustez fiscal e câmbio flutuante. "O Brasil só não foi atingido pela crise, pois o governo tinha reserva de 250 bilhões de dólares, o que o fez passar de devedor para credor."

A fidelização da classe média brasileira é o grande desafio do mercado. São 90 milhões de brasileiros que segundo o presidente da Dotz no Brasil, Roberto Chade, tem lhe tirado o sono. Afinal, as empresas não os consideravam bons clientes até alguns anos atrás.