Debate de peso

Postado por , às 16:42 do dia 02 de 07 de 2010
Ciclo de palestras durante o Conexão Empresarial em Tiradentes contou com convidados de expressão e uma rica e produtiva troca de ideias em torno de temas políticos, econômicos e sociais

As classes C e D melhoram o retrato do Brasil. Aceleram o aumento do PIB, atraem a atenção de empresários, impulsionam o desenvolvimento. Foram elas o ponto em comum, a unicidade, nos debates do Conexão Empresarial, promovido pelo grupo VB Comunicação, em Tiradentes, que reuniu cerca de 350 pessoas, lideranças políticas de Minas e de outros estados entre os dias 10 e 13 de junho. “País nenhum cresce sem mercado de massa”, disse a ex-ministra e candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, durante sua fala. São essas classes que elevaram 31 milhões de pessoas ao poder de consumo. “Ao construir mercado com estas proporções, cons­­truímos a base para o desenvolvimento sustentável.” O que ajudou a elevar o PIB a 9% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado, que impulsiona a economia, mas cobra investimento em infraestrutu­ra e qualificação profissional. O país não está preparado em rodovias, portos e mão de obra. “Aí entra na educação de qualidade, que implica valorização do professor de forma a atrair profissionais.” Esbarra na reforma tributária, na simplificação de tri­butos. “O Brasil conseguiu avançar sem reformas, mas agora não dá mais. Do ponto de vista econômico, a tributária é a mais importante”, afirmou a candida­ta.

Antes de Dilma, o governador An­tonio Anastasia abriu o ciclo de palestras na ma­nhã de sexta-feira a apontar as potencialidades e incitar os empresários a ousar em investimentos e parcerias com o governo. “Temos de nos desafiar para criar novos programas porque a casa está arrumada, vitaminada”, disse. A casa ajeitada aí é ges­tão pública estadual, que, segundo ele, chegou a isto pela profissionalização. “É importante a economia ao lado de administração boa.” Vê o desenvolvimen­­­to regional para diminuir as desigualdades sociais no estado e diver­­sificação da cadeia produtiva, co­­mo agregar valor ao minério. A ir mais à frente neste estado, onde é can­didato ao governo pelo PSDB em dispu­ta com o senador Hélio Cos­ta, do PMDB, que também esteve no Co­ne­xão.

Puseram os pés no mesmo palan­que dos debates: Anastasia de ma­­nhã, Hélio Costa à tarde, que retrocedeu há mais de 200 anos, na época de Tiradentes, para re­­cla­mar dos impostos. “Nosso herói mor­­­reu porque protestava contra a cobra­nça de 20% sobre o ouro. Hoje pagamos 35%. Os empresários sabem o peso que isto significa”, afirmou o senador. As­su­­miu o compromisso de não aumentar tributos em circunstância nenhuma, apon­tou que o desenvolvimento tem que ser pensado sob o alto dos cinco pilares da economia mineira (energia, combustíveis, autopeças, telecomunicações e agronegócios). Transcorria a fala, quando disse que em Minas há 12 mil empresas, sendo que somente 3,8 mil pagam impostos. O restante é irregular. 

Terminou a palestra, deixou o auditório e aí o presidente da Usiminas, Wilson Brumer, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas, o próximo a lide­rar a discussão, questionou os números apresentados por Costa. Convocou Ola­vo Machado, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas (Fiemg), mexeu com a plateia, aqueceu o debate. Se­riam somente 3,8 mil empresas regulares? Machado informou que este número se referia às indústrias,  e que respondiam por 95% da arrecadação. Não só elas regulares, há outras também no estado, que Brumer garantiu estar preparado, planejado para o desenvolvimento. Sujeito, em todo o Brasil, às ameaças externas: ajuste fiscal de outros países, crescimento lento da economia mundial. Às internas, como inflação, aumento dos gastos da máquina pública. “Não há vacina para crescer indefinida­mente”, afirmou Paulo Paiva, presidente do BDMG. Mas vê o acesso das classes C e D ao mercado consumidor como oportunidade, componente vital nesta vacina, para o desenvolvimento. “O novo poder de consumo dessas classes atraiu empresas de vários setores, incluindo as de planos de sáude”, avaliou Helton Freitas, presidente da Unimed-BH, du­rante sua palestra.“São 90 milhões de pessoas querendo gastar. Elas são sensíveis a preços, mas querem ˆ qualidade”, lembrou Ro­berto Chade, presidente da Dotz do Brasil, empresa de fidelização. Acre­dita que, para tornar fiéis esses consumidores, tem de ser simples, mostrar o que vão ganhar. O Co­ne­xão mostrou, discutiu. “O projeto nasceu nos almo­ços, em pouco tempo tornou-se referência e agora será anual”, afirmou Paulo Cesar de Oliveira, diretor geral da VB Comunicação. Novas discussões virão. 

 

QUEM ESTAVA NA MESA

De manhã

 

  • Antonio Augusto Anastasia, governador de Minas
  • Paulo Cesar de Oliveira, diretor geral da VB Comunicação
  • Danilo de Castro, secretário de Estado da Casa Civil
  • Olavo Machado, presidente da Fiemg
  • Paulo Paiva, presidente do BDMG
  • Helton Freitas, presidente da Unimed-BH
  • Fernando Frauches, presidente da Fidens
  • Roberto Simões, presidente do Sebrae
  • Nílzio Barbosa, prefeito de Tiradentes
 
De tarde

 

  • Marcio Lacerda, prefeito de Belo Horizonte
  • Fernando Pimentel, ex-prefeito de BH
  • Dilma Rousseff, ex-ministra e candidata à Presidência pelo PT 
  • Paulo Paiva, presidente do BDMG
  • Wilson Brumer, presidente da Usiminas
  • Arlindo Porto, vice-presidente da Cemig
  • Fernando Frauches, presidente da Fidens
  • Paulo Cesar de Oliveira, diretor geral da VB Comunicação
  • Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro do Turismo
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Parceria entre público e privado gera crescimento

Postado por Angélica de Castro, às 12:51 do dia 12 de 06 de 2010
Foto: Tião Mourão

O ciclo de palestras do segundo dia, 11 de junho, do Conexão Empresarial, foi encerrado com o presidente da Usiminas, Wilson Brummer que discursou sobre o processo de desenvolvimento público e privado. De acordo com ele, que já atuou nos dois setores, é preciso haver uma descentralização política no país. "O estado não tem capacidade de fazer tudo sozinho. O setor público e privado precisam ser parceiros nesse processo. O estado deve ser desrregulamentado para que haja participação mais ativa do setor privado."

 
Leia outros momentos:
 
"Dentro da relação do que o Brasil e nós precisamos, a mão de obra não pode ser vista como algo barato. O dinheiro na mão do funcionário pode ser pouco, mas o custo dele para a empresa é alto. Então é necessário uma reforma trabalhista que leve recursos para o bolso do consumidor".
 
"A excelência empresarial é excelência de pessoas. Temos obrigação de fazer com que as pessoas cresçam. Treinamento é investimento, muito mais do que custo. Somos empresas que, no passado, transferiam ineficiência para os preços. Hoje o consumidor está mais consciente. E ele vive um novo momento. Eram consumidores que estavam acostumados a comprar produtos para a resto da vida e hoje querem tecnologia."
 
"Meio ambiente é parte do nosso negócio. Até porque os nossos consumidores não vão consumir de empresas que têm problemas ambientais. E esses problemas trazem em seu bojo problemas tecnológicos. Cabe ao estado dar as condições, criar o clima para gerar negócios. E ao setor público, empregos. O estado deve ser um facilitador das atividades empresariais." 
 
"Se queremos ter empresas competitivas, precisamos ter um país competitivo. Os custos são muito grandes. É preciso trabalhar para reduzir o custo-Brasil."Precisamos de um trabalho conjunto para reduzir isso? Fica aí uma idéia, Olavo (presidente da FIEMG). Quem sabe não é o momento de fazer um entorno das empresas líderes? Cinturões que agregam valor aos nossos produtos. 
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Hélio Costa critica volume de impostos

Postado por Angélica de Castro, às 11:37 do dia 12 de 06 de 2010

Durante sua palestra no Conexão Empresarial, o candidato à governador de Minas Gerais, Hélio Costa, citou Tiradentes que morreu ao lutar contra os impostos que na época representavam 20% e hoje superam os 30%. Confira alguns trechos da palestra: 

 
"A nossa economia está pautada em cinco pilares. O primeiro é a energia, que representa 20% da receita de nosso estado. Os combustíveis representam 20%, auto-peças há 40 anos representam 20% e telecomunicações 20%. Os outros 20% é onde podemos inovar, desenvolver, crescer, criar, sobretudo no agronegócio. E para tanto, nós vamos ter que trabalhar muito na educação."
 
"Eu acho que quem tem um orçamento de 34 bilhões não tem como fazer um governo ruim. Nós temos que concentrar essa renda nas áreas que são primordiais. A constituição diz que devemos repassar para a saúde 12% e não 7,5%. A constituição diz que devemos repassar 25% para a educação."
 
"Não adianta sermos o maior produtor de café se não conseguimos colocar valor agregado no produto. O sul de Minas, a Zona da Mata, dependem do preço do café que depende do mercado externo. O preço está na mão dos atravessadores internacionais que tem estoque. O poder está na mão dos esticadores. Precisamos ter o estoque aqui para administrarmos melhor a economia do café."
 
"Meu apoio é total às nossas mineradoras, mas as ações precisam ser orientadas em MG. E depois da indústria siderúrgica, tudo o que vier tem que ser feito em MG. Os insumos tem que ficar aqui. Temos que aproveitar melhor essa cadeia produtiva de minério. A safra é só uma."
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Dilma destaca potencial consumidor

Postado por Silvânia Arriel, às 18:20 do dia 11 de 06 de 2010
foto: Pedro Vilela

A ex-ministra Dilma Rousseff disse hoje, no Conexão Empresarial, em Tiradentes, que o Brasil tem todas as condições de passar de um país emergente para desenvolvido, pois possui 190 milhões de consumidores, sendo que 31 milhões migraram para a classe média, que consume de tudo e representa 70% da população. "País nenhum cresce sem mercado de massa", argumenta. De acordo com a ex-ministra, é preciso haver investimento em educação, em escolas profissionalizantes para qualificar a mão de obra, e também na saúde. Para avançar, ainda é preciso uma reforma tributária com a simplificação de impostos, além de algumas ações pontuais como a devolução do crédito de ICMS. Dilma considera o sistema tributário "caótico e confuso" e defende a tarifa zero para investimentos. Durante o discurso, a palestrante deu alfinetadas no governo anterior. De acordo com ela, a política econômica do presidente Lula não é continuidade da de FHC porque há controle de inflação com meta inflacionária, tem robustez fiscal e câmbio flutuante. "O Brasil só não foi atingido pela crise, pois o governo tinha reserva de 250 bilhões de dólares, o que o fez passar de devedor para credor."

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90 milhões de consumidores livres

Postado por Angélica de Castro, às 17:32 do dia 11 de 06 de 2010
Roberto Chade

A fidelização da classe média brasileira é o grande desafio do mercado. São 90 milhões de brasileiros que segundo o presidente da Dotz no Brasil, Roberto Chade, tem lhe tirado o sono. Afinal, as empresas não os consideravam bons clientes até alguns anos atrás.

Contudo, a classe média representa:
  • 49% da população
  • 50% da renda nacional
  • 60% do público feminino em shopping centers
  • 31% dos universitários
  • 50% dos internautas
  • 50% dos consumidores de e-commerce
 
Também é uma classe fiel às marcas mesmo sem amarras contratuais (bancos, telefonias). Outro ponto positivo é utilizarem o dinheiro para comprar produtos que aumentam a qualidade de vida. Mesmo com uma renda pequena, esse público parece querer ficar cada vez mais distante dos "produtos-porcaria", diz o expositor que citou, como exemplo, o consumo de telefones celulares - pesquisas indicam que o consumidor liga o produto à ascensão social.
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